10 – Hora de juntar as peças
No dia seguinte, Nando passou em Irajá para pegar Ricardo logo cedo.
– Ei, o que houve com a bela noite de sono? Sua cara está péssima. A conversa com a Mônica não foi boa?
– Calma que vou te contar tudo o que aconteceu. – falou Ricardo, relatando a conversa que os dois tiveram e o final inesperado daquele encontro.
– Porra, que merda. Vocês quase foram atropelados e ainda tentaram alvejar vocês. Que loucura.
– Pois é, mas tem uma coisa nessa história que está me intrigando.
– O que é? – perguntou Nando.
– Se era um atentado, para nos acertar, por que tentar nos atropelar e atirar depois que o carro já havia feito a curva, a uma distância maior? Teria sido bem mais fácil atirar enquanto o carro passava a nossa frente, mais prático e mais seguro de acertar o alvo.
– Coisa de amador. – refletiu Nando.
– Pode ser. – disse Ricardo – Mas, mesmo assim, eu continuo cismado com isso.
– Bem, uma coisa sabemos, estamos no caminho certo ou isso não teria acontecido.
– Isso é verdade. Vamos pra delegacia ver o que temos de novidade, além dessas. – finalizou Ricardo.
Ao chegarem à delegacia os dois foram conversar com o delegado e relatar o ocorrido.
– Isso está ficando esquisito. – disse o delegado – A menina ficou bem?
– Depois da confusão deixei ela em casa. Daqui há pouco vou ligar para ver como ela está.
– Faça isso. Logo teremos as informações das quebras dos sigilos, isso vai ser importante para avaliarmos essa questão financeira. – concluiu o delegado.
– Sim, com essas informações vamos poder verificar se a Marcelle está em dificuldades financeiras mesmo, algo que justificasse uma ameaça à avó. – falou Nando – Ela e os outros, pois acredito que todos ou quase todos devem estar com problemas de grana.
– Concordo com você. – disse o delegado.
– O sigilo telefônico vai pegar que período? – perguntou Ricardo.
– Vai pegar dez dias antes do assassinato até ontem. – respondeu o chefe.
– Isso é bom. – disse Ricardo.
– No que você está pensando? – indagou Nando.
– Se voltamos dez dias para trás, tem que aparecer o registro dessa conversa que a Mônica afirma que teve com a Marcelle. É um ponto a ser verificado. – respondeu Ricardo.
– Com certeza é. – falou o delegado – Mas isso será suficiente para provar que a menina esteve lá naquela sexta?
– Se houver o registro, saberemos que elas se falaram por telefone na segunda que antecedeu o crime. Pensei em voltar a falar com o síndico do prédio para verificarmos as imagens desse final de semana anterior ao crime, para nos certificarmos de que tanto Marcelle como Mônica estiveram com a avó nos dias e horários que a Mônica afirma. – refletiu Ricardo.
– Ótima ideia. – confirmou o delegado.
– Vou ligar para o síndico depois e pedir que ele separe essas imagens pra gente. – ponderou Nando.
– Então, mãos a obra. – definiu o delegado.
– Vamos nessa. – falou Ricardo enquanto os dois policiais deixavam a sala.
– O que você vai fazer agora? – perguntou Nando assim que os dois voltaram para suas mesas.
– Vou tentar falar com as duas. Quero saber se a Mônica está bem e pretendo ter uma conversa com a Marcelle. – falou Ricardo.
– Você vai confrontá-la?
– Ainda não. Por enquanto só quero sondar para ver se ela vai admitir que esteve com a avó uma semana antes do crime.
– Ok. Vou tentar falar com o síndico. – disse Nando.
Enquanto Nando fazia contato com o síndico do prédio de dona Marieta, Ricardo mandava uma mensagem para Marcelle e, na sequência, falava com Mônica. A conversa foi rápida, a jovem estava bem, em casa descansando, nada diferente acontecera depois. Assim que terminou a ligação verificou que havia uma mensagem de Marcelle. Ela convidava o policial para tomar um café naquela tarde.
– Teve sorte com o síndico? – perguntou Ricardo.
– Sim, as imagens ainda estão no HD, ele vai separar pra gente, de acordo com os dias e horários que passei para ele. Depois é só pegarmos lá. – falou Nando – E você?
– Está tudo bem com a Mônica e nossa amiga Marcelle me convidou para um café hoje à tarde. – disse ele.
– Então as Laranjeiras nos espera. Enquanto você toma o seu café, eu pego as imagens com o síndico. Vamos almoçar mais cedo e partimos rumo à Zona Sul.
– É isso. Vamos trabalhar.
Os dois resolveram questões burocráticas até a hora do almoço. Depois de comer partiram para as Laranjeiras. Foram direto ao prédio onde dona Marieta morava e pegaram as imagens que o síndico. Na sequência Nando deixou Ricardo próxima ao local onde ele havia combinado o encontro com Marcelle. Eles estavam no carro de Nando, já que não queriam chamar atenção. Depois do ocorrido na noite anterior, avaliaram que o mais seguro seria que Nando estivesse por perto, nessa conversa com Marcelle, caso Ricardo precisasse de cobertura.
Nando colocou o carro em um estacionamento, uma rua antes do local combinado. Ricardo partiu em direção ao café onde encontraria Marcelle.
– Olá, inspetor, que bom que você veio. – falou ela sorridente.
– E por que não viria? – indagou ele.
– Depois de ontem lá no cemitério, achei que você iria querer manter distância de mim.
– Eu disse que não pretendia fazer a revista, mas podemos nos sentar e conversar sobre tudo o que aconteceu. – disse ele.
– Que bom que você pensa assim. O que você acha de tudo isso? – indagou ela.
– Por enquanto temos certeza de uma coisa, sua avó foi assassinada e vamos descobrir quem fez isso.
– É horrível quando você coloca a coisa dessa maneira. – colocou ela.
– De que ela foi assassinada?
– Sim.
– Mas foi isso o que aconteceu, não resta mais dúvidas.
– E obviamente vocês acham que um de nós fez isso.
– É muito difícil que um estranho tenha tido acesso ao apartamento e matado ela e sem rouba nada.
– Nisso você tem razão, é muito difícil mesmo. E pensar que há apenas alguns dias ela estava lá, viva e agora está morta. As pessoas se vão e você, muitas vezes, nem tem tempo para se despedir. Isso me dá arrepios.
Ricardo aproveitou o comentário para perguntar.
– Há quanto tempo você não via a sua avó?
– Estive com ela uma semana antes do crime. Na sexta-feira da semana anterior.
– Algum motivo especial para a visita?
Marcelle encarou o policial por alguns segundos antes de responder.
– Não, nada especial. Foi no prédio vizinho visitar uma amiga e dei uma passada lá, só para dar um oi, só isso.
– Na ocasião ela estava normal ou mostrava alguma alteração?
– Que eu me lembre, nada de diferente. Foi uma conversa rápida, só passei para saber se ela estava bem. Ela perguntou como eu estava, se estava estudando, trabalhando, o de sempre. Ou seja, nada fora do padrão. Por acaso você está achando que eu matei a vovó? – indagou ela com um sorriso malicioso nos lábios.
– Acho meio difícil você matá-la com uma semana de antecedência. Mas é importante sabermos quem esteve com ela recentemente. Ajuda a definir como ela estava nesses dias que antecederam ao crime. – explicou ele.
– Tudo bem, foi só uma brincadeirinha. – falou ela – Mas, pra mim, ela pareceu estar bem normal naquela sexta-feira.
– Posso perguntar uma coisa?
– Claro, inspetor. Fique à vontade. – sorriu ela.
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